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[...]

Outubro 27, 2009

[...]

Então não fui claro o suficiente?
Eu sou alérgico a esse mundo
Sinto-me afugentado pelos homens
Sinto-me acanhado com minhas emoções e sensibilidades
Como todo homem eu estou preso
e sei disso
e isso é horrível
é como acordar e se sentir um inseto
é como nunca ter lido Kafka
Não fui claro?
Dói tudo
Dói em mim o que não posso
eu estou preso nessa merda
Eu não posso me esticar para ver além dessa masmorra
Essa masmorra que é meu olhar
que é ser eu
Espero ter sido claro

Josi Vice

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Rinite

Outubro 23, 2009

Rinite

Que grato me sinto em ressentir as bactérias da literatura
Confeso que perambulei por esquinas inapropiadas
Confesso que transpirei normalidade
Conversei e sorri vulgaridade
E hoje estou relutantemente feliz em sentir
Penetrar-me a ânsia, o espirro da literatura
Com todos os seus ácaros
Para todos os que me lêem um bom sono nessa noite
Essa noite dos séculos
essa noite da humanidade
Essa escuridão que principia cada dia mais monstruosa
Como um cadáver num carrinho de compras
de um supermercado qualquer

Josi Vice

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Poesia de sete de setembro

Setembro 15, 2009

Poesia de sete de setembro

Hipocrisia no almoço, no jantar
Na frente da TV
a ver marcha, a banda marcial
Independência ou morte
Pão para o povo da rua se tiver sorte
O cara desafinando no ônibus
O país das contradições
E chico ainda se faz presente do caos à lama
Porque a cidade não pára
E a fedentna se espalha
Negros nas ruas grito dos excluídos
Índios
Brancos miscigenados
A fome que não passa
O cheira-cola nas ruas
a civilização é algo que necessita de coerência
Mas eu vejo os políticos vivendo de opulência
gastando o dinheiro dos impostos
e eu pensando na vida
Enquanto meus amigos fumam maconha e bebem a noite toda
A marcha continua
deveriam estar levando a bandeira do Brasil em um caixão
Numa marcha fúnebre
Meus caros amigos, não tenho esperança
Tiraram de mim até isso
em algum carnaval
Independência
democracia sob corrupção
Fogo saindo de armas
Pátria parida entre matas e gentes
Os tempos mudam mas eu sinto que muita coisa continua
E ninguém faz nada

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A bailarina gorda

Junho 5, 2009

A bailarina gorda

Ela queria ser bailarina. Não podia. era gorda. Não havia leveza em seus passos e movimentos. Não havia serenidade e beleza. Nem sequer pureza. Ela queria ser bailarinha. Tinha seis anos e queria ser bailarina. Como a mãe deveria agir em uma situação dessas?

Lembro que minha irmã também queria ser bailarina, mas ela não tinha leveza. Era magérrima, mas não possuía leveza.

Enfim, Zuleiza,  a mãe da bilarina gorda não sabia o que fazer. Via a filha chorando, pranteando, e não havia esperanças, a filha rechonchuda não seria uma bailarina. O máximo a se fazer era cuidar e esperar que ela não virasse obesa.

Ela queria ser bailarina. Não podia. era gorda. A mãe a olhava e esperava ela ser feliz.

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Junho 4, 2009

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Junho 4, 2009

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Fight Poetry

Janeiro 23, 2009

A vida está aí
De punhos fechados
Cerrados
Pronto para lhe deixar no chão na calçada
e você só ri

A vida vai com tudo para cima de você
Enfrenta até seus ossos
Todo o seu sangue
E você só cai no chão

Tão fundo
Tão rasteiro

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You´re like an animal

Janeiro 23, 2009

You´re like an animal

Toda sua sede
Toda sua fome
Todo o seu desejo
Você é como um animal

Você todo me prende sob seu corpo
e eu sinto suas presas
Sinto sua respiração
Sinto todo o peso do seu corpo
e eu me entrego como uma presa
ao seu ataque
E você me dá a morte
Você é como um animal

eu sinto sua raiva
Sinto a sua animalidade
sinto sua selvageria
tome-me como alimento
Você é como um animal

eu queria domesticar você
Eu queria encoleirar você
Eu queria prender você
Como você faz comigo
Você é como uma animal
O mais humano dos animais
O mais animal dos humanos

Josi Vice

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Uma nova aberração

Janeiro 23, 2009

Uma nova aberração

Os olhos pintados sem esperança
O café esfriando enquanto o corpo cansa
Quem sabe não arranque o coração
Quem sabe um anjo caído não me descubra

Já rasguei minha pele
Já toquei fundo dentro de mim
E puxei o vazio para fora
Gritando o seu nome
Eu sou a rainha do mal
Eu sou tão perfeita quanto você

Falo tão alto quanto você
Eu fui para dentro
Eu fui outra pessoa
Eu já me diverti de verdade sorrindo
Eu já me diverti de verdade estando baixo

Hoje eu poso para mais uma foto
Sorriso aberto
Porque eu sou uma nova aberração
Pronta para negar o céu
Pronta para ser mais uma ferida aberta

Piso em flores dentro de mim
Eu sou a rainha do mal
Sorrindo só para você saber que eu fico bem na foto

Josi vice
A Jaque

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Redenção

Janeiro 6, 2009

5 de janeiro de 2008
19:17
Autor: Josi Vice
A Dayana

Eu te chamei direto do inferno
Porque tanto eu como você precisávamos de salvação
Estávamos mais perdidos que agora
Sei que continuamos perdidos
Mas agora estamos juntos
Um dentro do outro

Eu te chamei quanto eu não acreditava mais em amor
E então sentimos medo
e provamos não sermos donos de nós mesmos
E agora eu posso ver minha própria alma
Em outro alguém

quem sabe o céu não exista
Para assim eu poder só crer em um paraíso
Porque és o único lugar onde quero parar
Porque és a única verdade em que eu quero crer
E eu não me importo mais

Porque quando eu te chamei você tocou minha mão
e eu pude beijá-la
E foi quando eu percebi que estava perdido
Não havia mais volta
E eu saí do inferno com você