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Redenção

Janeiro 6, 2009

5 de janeiro de 2008
19:17
Autor: Josi Vice
A Dayana

Eu te chamei direto do inferno
Porque tanto eu como você precisávamos de salvação
Estávamos mais perdidos que agora
Sei que continuamos perdidos
Mas agora estamos juntos
Um dentro do outro

Eu te chamei quanto eu não acreditava mais em amor
E então sentimos medo
e provamos não sermos donos de nós mesmos
E agora eu posso ver minha própria alma
Em outro alguém

quem sabe o céu não exista
Para assim eu poder só crer em um paraíso
Porque és o único lugar onde quero parar
Porque és a única verdade em que eu quero crer
E eu não me importo mais

Porque quando eu te chamei você tocou minha mão
e eu pude beijá-la
E foi quando eu percebi que estava perdido
Não havia mais volta
E eu saí do inferno com você

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Dezembro 7, 2008

O escritor não deixou o café ser desperdiçado, misturou- o com um pouco de conhaque enquanto dava um outro trago, engolindo tudo de uma só vez, inclusive a fumaça.
Pousou sua cabeça no papel, imprimindo o suor. Quanto suor já havia escorrido de corpos quentes nestes anos de humanidade?
Só quem está diante da guerra sabe o significado da palavra morte. É como se fosse uma presença viva, mas eu sei que é sempre dentro que se encontra a morte.
Escreveu algumas linhas, que lia como se quisesse vivê- las para não ouvir a morte cantando nas ruas Podia ouvir as notícias no rádio, a guerra prosseguia, a União Soviética avançava. Havia tanto em jogo, mas a vid anão é um jogo, não se pode apostar vidas como se fosse algo simples. Viver é bem simples. Não, viver não é simples, bem sabemos. Talvez morrer seja simples.
O homem e o poder são perigosos juntos. Algumas da maiores expressões de terror nascem dessa junção. Homens e poder…

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Música sem som

Dezembro 7, 2008

Música sem som

Eu quero sofrer
Eu quero cair dentro dessa tormenta
Eu quero ser único para você
Esse amor é como uma febre
E eu sei que nunca mais estarei curado
E me sinto muito bem por isso
Não quero um remédio
Não quero deixar de sentir esse calor
Não quero deixar de ser abraçado por esses braços em fogo gelado
é assim que eu sinto o amor
é assim que eu quero permanecer
Eu te amo
Você é minha febre
Minha vontade de viver

Josi Vice

A Dayana

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Kisses… Beijos

Outubro 2, 2008
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No quarto de Igor

Setembro 29, 2008

No quarto de Igor

Numa noite fria e chuvosa, Igor buscou velas e agasalho. Há muito estava escuro. A tempestade era a culpada. Ele teimou em buscar o livro ainda. Havia esquecido. Agora, com tantas velas e o livro, deitado, devidamente coberto pôde se concentrar nas palavras. Não queria ser incomodado, todos os seus conhecidos e até seu cachorro sabiam, que ele não suportava ser interrompido em suas leituras, sempre iniciadas a partir das 8 da noite. Era um momento sagrado para ele. Uma vez, numa febre, a querer terminar um livro, passou um dia em claro, caindo de exausto na tarde do outro dia.

Igor não era forte nem belo, mas gostava de se pôr acima dos outros. Era o rei da sua solidão. Amava o vazio do seu quarto, aquele silêncio, a companhia dos livros. Não gostava de ruídos, amava o silêncio. De música só suportava o som dos violinos. Naquela noite, sem notar, com a face encostada no livro, adormeceu. Súbito, uma imagem que se movia como serpente parou diante de sua cama, brincando com a chama das velas em volta da cama.

Recolheu em suas mãos um livro que estava na estante, abriu-o e leu algumas frases. – Ah, recordo-me bem… Era o livro de Jó. Muito daquele livro era responsabilidade daquele que estava no quarto com Igor. Deixou o livro cair de suas mão e sentou na borda da cama, ao lado de Igor. Tocou seus pés, sentiu os sonhos, e sem acordá-lo tocou seu sexo, conduzindo seu sonho até a imagem de um deserto, onde uma mulher em plena nudez seduzia-o com seus toques. O sonho logo se desfez, pois o ser se ausentou da cama e em vulto foi até a estante. Calmamente posicionado diante da estante, puxou um livro de sua manga comprida e o pôs junto com os outros. Um livro brilhante, um preto vivo, vibrante. Observou novamente Igor e sumiu silenciosamente sem deixar rastro, fumaça ou cheiro algum.

Em calafrios, Igor levanta-se num salto, como se tomado pela loucura. Nota o livro na estante bem a sua frente. Como se só pudesse notá-lo entre os outros. Levantou-se, pegou-o. Nada em sua capa a não ser uma sigla. Iniciais do autor talvez. Abriu-o e como título só pôde ler antes da queda do livro A morte de Igor, autor Lúcifer, a Serpente Pisoteada.

Autor: Josi Vice

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Poético

Setembro 29, 2008

Fausto não queria mais viver. Fausto queria simplesmente libertar seu corpo do peso de seu eu. Mas encontrou os sátiros pelo caminho e começaram a cantar a noite. A sabedoria poética, a sombra de Fausto, parecia perdida e Fausto procurou-a: -Oh, Sombra, moves teus pensamentos? Teu corpo aqui encontro, bem diante de mim, mas o teu eu não parece amigo dessa paisagem.

-Oh, Fausto… pobre paisagem, culpa não tem. Algo em mim morre para além de mim. algo que eu tento tocar, mas não posso. Minhas mãos dissipam a matéria fragmentada desse sonho. Fausto, já estou tão dentro de mim sem esperança.

-Parece-me que a sabedoria devora toda esperança e morre com ela sem propósito. Creio que o mundo do conhecimento é vasto, a sabedoria é tão completo e a esperança é uma mentira para ela, que sabe… sabe que o abismo é o último caminho para o corpo, sem conhecer os caminhos do espírito.


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Paranóia

Setembro 25, 2008

Paranóia

Há um deus mirando uma arma prateada contra minha cabeça
Há algo de errado com o mundo ou só sou eu?
Eu não entendo porque tanto pessimismo se estamos tão bem
Como você dorme?
como já dormiu?
às vezes eu não entendo meus olhos escuros
Eu não quero dormir
às vezes não quero acordar
Tenho medo do que posso me tornar
Dentro de mim eu sou tão diferente
E se eu tentar fugir e rasgar todo o meu corpo?
alguém me segue
ou eu preciso de algum comprimido
Há tantas armas apontadas para nós
O homem nunca pisou na lua
e as guerras não acabaram
é tudo uma armação
eles querem acabar comigo
eles querem me forçar a ser outra pessoa
mas eu sempre assassino seu deus
e sempre sou morto em troca

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Direitos autorais

Setembro 20, 2008

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Vício

Setembro 10, 2008

Eu venci minha fome de felicidade,

Mas ainda não me sinto completamente sã

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Verme

Setembro 10, 2008

Verme

Não seja idiota
Sou diferente de você
Suas críticas não vão mudar nada
Eu não estou apto a caminhar de outro modo
eu me alimento do que é podre
Do que para você não serve
se não pode entender
Não está do meu lado
Meu câncer está começando a doer
Eu sinto meu espírito ceder a escuridão
eu sei que não poderei suportar
Eu já pedi tantas vezes para ser deixado em paz
Mas dessa vez eu vou surgir nessa imundice
para morrer depois de devorá-la
O demônio perdeu suas forças
O novo deus sou eu
Deus não existe mais
O novo deus sou eu
Esse mundo tão belo para mim não tem valor